A Maldição - Capítulo 1
Bem-vindo ao vale depois das montanhas, meu nome você não
precisa saber, minha idade você não tem que registrar, apenas grave a história
que irei te contar...
Há muito tempo atrás, antes mesmo
do vale ser fundando havia uma grande floresta que rodilhava as montanhas altas
e íngremes do Norte, em meio as arvores viviam grupos de nativos da floresta,
dentre eles um garoto chamado Jeam. Ele era pequeno, tinha mais ou menos dez
anos, seus cabelos eram grandes e bagunçados, lisos e negros como a mais escura
noite, ele era muito travesso e alegre, tinha muitos amigos e seus pais o
cuidavam muito bem. Um dia antes de irem para além das montanhas em busca de
descobrirem novas terras, Jeam e outros dois amigos saíram para brincar e nunca
mais foram encontrados... Reza a lenda que três garotos,
muito jovens de tribos nativas da selva se perderam em meio às matas desertas e
assombrosas, dizem que eles foram brincar após as cachoeiras de cristal, onde a
água era mais transparente que tudo, porem para chegar até as cachoeiras era
preciso passar pela ponte, muito antiga e feita de cordas e madeiras, dizem que
eles a atravessaram e que depois disso viram uma placa onde havia um desenho de
um bicho estranho e desconhecido, eles continuaram sem medo e sem se quer
perceber que a placa estivera ali. Quando eles chegaram às cachoeiras entraram
na cristalina água que despencava dos rochedos, eles começaram a brinca, um
jogava água no outro, os bichos bebiam na beira do riacho, os pássaros
cantarolavam e tudo era tranquilo, Jeam começou a ir para a parte mais funda
onde a água despencava com mais força, e de longe ele avistou uma fenda depois
da forte queda d’água, ele chamou os amigos para seguirem-no e os amigos logo
foram, eles passaram rapidamente pela forte água que despencava em suas costas
e adentraram a fenda. Dentro da fenda podia se
sentir a água que batia nas rochas respingava dentro da caverna, a luz que
ultrapassava as águas cristalinas iluminava fracamente a caverna sombria, os
amigos se olharam e perguntaram se alguém sabia onde ela levava, todos disseram
que não, então Jeam começou a andar e falou que iria descobrir, os amigos com
medo ficaram parados, Jeam os chamou e eles com medo olharam-se entre si e
depois foram junto com Jeam, após andar um pouco, a luz não podia mais ser
vista, estranhas estalactites começaram a brilhar e emitir uma luz fraca, porém
que iluminava muito bem a caverna, eles continuaram explorando a caverna,
depois de um tempo se cansaram e começaram a andar de volta para a queda da
cachoeira quando uma estalactite se rompeu e caiu perto de Jeam, ele pegou um
pedaço da rocha que brilhava e a colocou no bolso sem que os amigos
percebessem, depois de um tempo andando eles conseguiram chegar ao riacho onde
despencava a cachoeira. Jeam e seus amigos começaram seu caminho de volta para
onde o grupo se encontrava, no meio do caminho Jeam tropeçou em uma raiz e caiu
de bruços, o pedaço da estalactite rasgou sua carne e entrou em sua pele, seus
amigos rapidamente o levantaram e observaram que ele estava sangrando, tiraram
sua blusa e viram um pedaço de rocha negra coberta de sangue em sua perna,
pegaram a blusa de Jeam e colocaram em cima do ferimento e continuaram a andar
só que com um pouco mais de pressa, eles atravessaram a ponte de novo e
voltaram ao vale, chegando lá perceberam que boa parte da vila tinha se
adiantado e ido para as montanhas, a outra metade eram mulheres e poucos
homens, eles correram para a velha curandeira do vale e quando chegaram na
velha cabana de barro com telhados de palha dela entraram com a blusa cheia de
sangue e o ferimento aberto com a rocha cravada nele. — O que aconteceu? –
perguntou a velha senhora. — Ele caiu e entrou uma
pedra na perna dele, não sabemos como! – disse um dos amigos. — Deite-o aqui... – disse
a senhora apontando para uma mesa de madeira. Os amigos o ajudaram a
subir na mesa e se deitar, depois a mulher tirou a blusa de cima do ferimento e
com uma cara de espanto e medo perguntou.
— Mas o que é isso?! – ela
questionou.
— Uma pedra... – disse um
dos amigos.
— Não é só uma pedra...! –
ela exclamou. – Onde vocês estiveram? – ela perguntou.
— Dentro da fenda da
cachoeira cristalina! – disse Jeam. – Eu peguei um pedaço da rocha que
despencou do teto da caverna e a coloquei no bolço da calça, quando estávamos
voltando eu caí por cima do bolço e a pedra se fincou na minha perna, ela
brilhava, mas agora está negra... – ele disse com a voz fraca.
— Pelos deuses, a maldição
se repetirá...! – ela exclamou.
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