Assassin's Shadows - O Alvo

"Já me disseram que a vida é apenas uma etapa de toda nossa jornada, que a vida é justa, que ela é um presente divino concedido ao mais destemidos, ela só é concedida aos que pretendem viver e todos que a recebem tem um proposito a cumprir. Acho que a minha chegou ao fim, mas acho que o meu proposito não foi alcançado, porém, ainda me resta tempo o bastante para servir de algo."

                Esse não é mais um dos contos de fadas que se devem contar as crianças, onde o personagem principal é justo e incorrupto, onde o bem vence o mal, onde a vida é perfeita. Não, estas são apenas palavras de uma alma amaldiçoada e condenada por seus próprios atos.
                Eu sou conhecido por diversos nomes, perante os vilarejos me chamam de Espírito da Morte, os Reis, ousam me chamar de Cavaleiro de Aço, os generais e comandantes me chamam de Ceifador, porém, os assassinos e ladrões me chamam de Rei das Sombras. Ninguém sabe de onde eu vim, ninguém sabe meu verdadeiro nome, ninguém nunca viu minha face, ninguém jamais ouviu minha voz a menos que estivesse prestes a morrer.
                Eu fui gerado no ventre da Rainha do Norte, filho do Rei Salomão, neto do Rei Mondrevick. Eu era uma criança normal, até meus 12 anos de idade, quando meu pai me enviou ao seu braço direito, General Robert Natchs, para ser treinado junto com o Exercito Negro. O mundo precisava ver o sangue real em jogo dentro do campo de batalha, porém o Rei não poderia arriscar seu próprio sangue, então pôs em jogo o de seu próprio filho.
                Não demorei muito para descobrir alguns dons como minha excelente pontaria com o Arco e Flecha ou meu fácil manuseio de espadas, habilidades bastante úteis para qualquer guerrilheiro que deseja sobreviver em um campo de batalha. Aos 14 anos dominei a arte dos assassinos chamados de Sombras da Noite. Aos 16 eu era o melhor assassino de todo o reino e o melhor guerrilheiro de todos os exércitos. 
                Não demorou muito para o General Natchs me ter como um filho e para meu pai me ter como o orgulho de um reinado. Eu era o assassino perfeito. Alvos, tropas, exércitos, todos dizimados por um só soldado. Eu era a arma de guerra perfeita, eu era o Deus da Morte.
                Aos 21 anos, assim que o inverno chegou, Natchs me deu mais um alvo, o Imperador do Sul, acusado de declarar guerra ao Rei Mondrevick, dizimar vilas ao Sul da província do Norte e matar a sangue frio e com suas próprias mãos Elizabeth Mondrevick, filha caçula do Rei Salomão... Minha irmã.
                Havia mais de 8 anos que não falava com Salomão, muito menos via minha irmã, porém ela ainda me mandava cartas, todos os meses, contudo, haviam dois meses que não recebia nenhuma noticia dela, até aquele dia.
                A fúria e o ódio me dominaram ao ponto de querer a vingança, ver o sangue dele derramado sobre minha espada, ter seu coração perfurado por minhas flechas, sentir o medo em seu coração e vê-lo em seus olhos enquanto arranco sua alma. Não seria apenas mais um alvo, aquele eu teria o prazer de matar. Na mesma noite eu parti, apenas com o necessário: minha espada, ganha após um combate com um antigo samurai que ousou me desafiar, meu arco e meia dúzia de facas. 
                O Espirito da Morte, meu cavalo, era negro como a noite e veloz com um raio. A neve era densa e o vento era cruel, porém o calor do ódio me aquecia e a sede de vingança me motivava.


                Em menos de dois dias eu cheguei às províncias ao Sul, um vilarejo pequeno comparado aos do Norte, portanto não foi difícil localizar o Castelo Aurora, onde vivia o Imperador Muerlot. Sem dúvidas uma fortaleza fortemente guardada por mais de duzentos cavaleiros e cem arqueiros, porém, eu era o melhor.
                Sem muita dificuldade passei pelos guardas e cheguei ao quarto do Rei que se encontrava em sua banheira deitado com os olhos fechados e repousando sua cabeça na cabeceira de costas para a porta.

                - Então, eles te chamam de Deus da Morte? 

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