Assassin's Shadows - A Morte Lhe Sorriu
- Creio que eles não erram
em dizer isso... – eu respondi.
- Claro que não... Afinal,
você entrou sorrateiramente em um dos castelos mais bem guardados de todos...
Aqueles lá em baixo são meus melhores homens... Quantos deles você matou? Cem,
duzentos, ou os trezentos? – ele perguntou enquanto saía da banheira.
- Nenhum. Afinal, meu alvo não são eles... – respondi.
- Não, não... Desculpe... Seu alvo sou eu, havia me esquecido por alguns minutos... – ele disse enquanto se secava.
- Acho melhor se vestir para quando encontrarem seu corpo você ter ao menos o resto de dignidade que lhe foi concedida. – eu disse.
- Não se preocupe comigo. Então, diga-me! O que lhe disseram para que viajasse de tão longe em busca da minha cabeça?! – ele perguntou.
Ele agia como se não se importasse com a morte. Secava-se sem preocupação enquanto falava comigo. Virou-se de costas e eu pude ver varias cicatrizes sobre sua pele branca e seus ombros castigados pelo Sol. Virou-se novamente passando a toalha sobre o peitoral musculoso que era marcado por alguns vergões e cicatrizes de flechas, uma ou outra mais recente. Deduzi que, ao contrário de Salomão, este rei era linha de frente em guerras, dava seu sangue por seu império, sua vida pela de seus homens.
- Para que quer saber? – perguntei friamente.
- Grandes homens gostam de saber quais são as mentiras que inventam sobre eles... – ele disse passando atoalha por trás do pescoço.
- Grandes homens...?
- Olhe meu reino... Isso é apenas uma parte dele. Todo ele construído pelo suor de meu rosto, erguido pela força de meus braços e mantido pela lamina de minha espada! – ele disse se reclinando em uma cadeira.
- Grandes homens não constroem seus reinos sobre crânios de pessoas e não se vangloriam por suas espadas banhadas por sangue inocente! Sangue de uma jovem criança de 8 anos...
- Criança? Eu não mato crianças... – ele disse em tom sério.
- Por favor...
- Meu caro... – então ele fez uma leve pausa – Como devo lhe chamar? Rei da Morte? Ceifador ou apenas Meu Caro Assassino...? Ah, não importa. Olhe pela janela e veja quantas crianças correm pelas ruas dessa pequena vila... Demais para um vilarejo com tão poucos adultos, não?! – ele disse.
A janela estava ao meu lado, e por ela observei varias crianças correndo pelas ruas, nem mesmo nas vilas do norte que são bem maiores havia tantas crianças assim.
- Eu acolho todas... Algumas encontradas nas florestas, outras em vilas abandonadas e algumas encontradas sob os destroços de impérios que meus homens conseguiram vencer. – ele disse ainda calmo. – Porém... Ainda não me respondeu.
Passei a pensar, refletir sobre suas afirmações. Claro que todos mentiram em minha presença para se manterem vivos, para conseguirem escapar da morte, por mais que seja a base de mentiras e insinuações. Contudo, ele era diferente, não havia medo em seus olhos, não havia nada além de uma terrível e gigantesca prepotência que era erguida a base do que a meu ver, pareciam verdades.
- Você, imperador do Sul, Muerlot Francier, matou a sangue frio Elizabeth Mondrevick, uma jovem princesa de oito anos, filha de Salomão, gerada no ventre da Rainha do Norte e acima de tudo, herdeira da Coroa de Ferro!
Ele riu, com um leve tom de deboche.
- Vejo que você, jovem Deus da Morte, não é tão esperto quanto o esperado e não passa de um dos peões do rei Salomão. Contudo, será um prazer ser morto pelo Ceifador de Almas, não é assim que lhe chamam?! – ele disse se levantando. – Vamos, escolha um local e crave sua espada ou lance sua flecha! – ele disse abrindo os braços e soltando a toalha. – Seja rápido.
- Como ousa dizer isso?!
- Por favor... Acha mesmo que todos os exércitos, soldados e impérios que você sozinho dizimou ou conquistou realmente fizeram algo contra Salomão? Acha mesmo que a Terra sagrada das Valquírias, uma das suas ultimas conquistas, declarou guerra a um rei que para elas seria insignificante? – ele disse.
De fato, foram tantos reinos e soldados e exércitos cujo sangue fora derramado por mim com um simples comando, uma simples frase “temos um novo alvo”. Fazia sentido, afinal de contas, do que serviria o assassino perfeito se ele questionasse?
- Você esta errado! – eu disse.
- Diga isso até a sua morte e quem sabe se convencerá... – ele disse sentando-se. – Achei que você matava as pessoas de uma forma mais rápida...
Então eu engatilhei uma de minhas flechas em meu arco e mirei entre seus olhos.
- Por favor, seja rápido. Quando sair, não mate nenhum de meus homens, deixe isso para o exercito de Salomão. Eles devem estar se munindo neste momento, esperando apenas seu exímio soldado voltar e dizer que o alvo foi abatido, que o serviço dado foi feito sem questionamento, como todos os outros... – então ele fechou os olhos e se pôs novamente de pé.
Eu ergui meu arco, puxei a flecha até que a corda encostasse-se a meu queixo. Pude ouvir meu coração e o vento soprar pela janela, meu alvo em minha frente, acolhendo a morte sem a menor resistência. Meus ombros pesavam mais que o real, minha mente se questionava mais que o devido, meus dedos suavam frio e eu me via em dúvida. O Senhor dos Assassinos se perguntando o que era certo. Acho que esse era o maior medo de Natchs e o pior pesadelo de Salomão, mas sem dúvidas, o maior desejo de Muerlot.
Relaxei os dedos e deixei que a corda se soltasse, a flecha se desvencilhou do arco e perfurou o ar, em questão de segundos encontrou seu alvo, porém a essa altura, o alvo não era mais o imperador e sim a parede atrás dele. Muerlot abriu os olhos surpreso, olhou no fundo dos meus olhos e eu pude ver a dúvida e o medo que não vi antes, o temor de um homem que presenciava a face da morte, porém, a morte lhe sorriu, e em um piscar de olhos o Rei das Sombras desapareceu na noite.
- Nenhum. Afinal, meu alvo não são eles... – respondi.
- Não, não... Desculpe... Seu alvo sou eu, havia me esquecido por alguns minutos... – ele disse enquanto se secava.
- Acho melhor se vestir para quando encontrarem seu corpo você ter ao menos o resto de dignidade que lhe foi concedida. – eu disse.
- Não se preocupe comigo. Então, diga-me! O que lhe disseram para que viajasse de tão longe em busca da minha cabeça?! – ele perguntou.
Ele agia como se não se importasse com a morte. Secava-se sem preocupação enquanto falava comigo. Virou-se de costas e eu pude ver varias cicatrizes sobre sua pele branca e seus ombros castigados pelo Sol. Virou-se novamente passando a toalha sobre o peitoral musculoso que era marcado por alguns vergões e cicatrizes de flechas, uma ou outra mais recente. Deduzi que, ao contrário de Salomão, este rei era linha de frente em guerras, dava seu sangue por seu império, sua vida pela de seus homens.
- Para que quer saber? – perguntei friamente.
- Grandes homens gostam de saber quais são as mentiras que inventam sobre eles... – ele disse passando atoalha por trás do pescoço.
- Grandes homens...?
- Olhe meu reino... Isso é apenas uma parte dele. Todo ele construído pelo suor de meu rosto, erguido pela força de meus braços e mantido pela lamina de minha espada! – ele disse se reclinando em uma cadeira.
- Grandes homens não constroem seus reinos sobre crânios de pessoas e não se vangloriam por suas espadas banhadas por sangue inocente! Sangue de uma jovem criança de 8 anos...
- Criança? Eu não mato crianças... – ele disse em tom sério.
- Por favor...
- Meu caro... – então ele fez uma leve pausa – Como devo lhe chamar? Rei da Morte? Ceifador ou apenas Meu Caro Assassino...? Ah, não importa. Olhe pela janela e veja quantas crianças correm pelas ruas dessa pequena vila... Demais para um vilarejo com tão poucos adultos, não?! – ele disse.
A janela estava ao meu lado, e por ela observei varias crianças correndo pelas ruas, nem mesmo nas vilas do norte que são bem maiores havia tantas crianças assim.
- Eu acolho todas... Algumas encontradas nas florestas, outras em vilas abandonadas e algumas encontradas sob os destroços de impérios que meus homens conseguiram vencer. – ele disse ainda calmo. – Porém... Ainda não me respondeu.
Passei a pensar, refletir sobre suas afirmações. Claro que todos mentiram em minha presença para se manterem vivos, para conseguirem escapar da morte, por mais que seja a base de mentiras e insinuações. Contudo, ele era diferente, não havia medo em seus olhos, não havia nada além de uma terrível e gigantesca prepotência que era erguida a base do que a meu ver, pareciam verdades.
- Você, imperador do Sul, Muerlot Francier, matou a sangue frio Elizabeth Mondrevick, uma jovem princesa de oito anos, filha de Salomão, gerada no ventre da Rainha do Norte e acima de tudo, herdeira da Coroa de Ferro!
Ele riu, com um leve tom de deboche.
- Vejo que você, jovem Deus da Morte, não é tão esperto quanto o esperado e não passa de um dos peões do rei Salomão. Contudo, será um prazer ser morto pelo Ceifador de Almas, não é assim que lhe chamam?! – ele disse se levantando. – Vamos, escolha um local e crave sua espada ou lance sua flecha! – ele disse abrindo os braços e soltando a toalha. – Seja rápido.
- Como ousa dizer isso?!
- Por favor... Acha mesmo que todos os exércitos, soldados e impérios que você sozinho dizimou ou conquistou realmente fizeram algo contra Salomão? Acha mesmo que a Terra sagrada das Valquírias, uma das suas ultimas conquistas, declarou guerra a um rei que para elas seria insignificante? – ele disse.
De fato, foram tantos reinos e soldados e exércitos cujo sangue fora derramado por mim com um simples comando, uma simples frase “temos um novo alvo”. Fazia sentido, afinal de contas, do que serviria o assassino perfeito se ele questionasse?
- Você esta errado! – eu disse.
- Diga isso até a sua morte e quem sabe se convencerá... – ele disse sentando-se. – Achei que você matava as pessoas de uma forma mais rápida...
Então eu engatilhei uma de minhas flechas em meu arco e mirei entre seus olhos.
- Por favor, seja rápido. Quando sair, não mate nenhum de meus homens, deixe isso para o exercito de Salomão. Eles devem estar se munindo neste momento, esperando apenas seu exímio soldado voltar e dizer que o alvo foi abatido, que o serviço dado foi feito sem questionamento, como todos os outros... – então ele fechou os olhos e se pôs novamente de pé.
Eu ergui meu arco, puxei a flecha até que a corda encostasse-se a meu queixo. Pude ouvir meu coração e o vento soprar pela janela, meu alvo em minha frente, acolhendo a morte sem a menor resistência. Meus ombros pesavam mais que o real, minha mente se questionava mais que o devido, meus dedos suavam frio e eu me via em dúvida. O Senhor dos Assassinos se perguntando o que era certo. Acho que esse era o maior medo de Natchs e o pior pesadelo de Salomão, mas sem dúvidas, o maior desejo de Muerlot.
Relaxei os dedos e deixei que a corda se soltasse, a flecha se desvencilhou do arco e perfurou o ar, em questão de segundos encontrou seu alvo, porém a essa altura, o alvo não era mais o imperador e sim a parede atrás dele. Muerlot abriu os olhos surpreso, olhou no fundo dos meus olhos e eu pude ver a dúvida e o medo que não vi antes, o temor de um homem que presenciava a face da morte, porém, a morte lhe sorriu, e em um piscar de olhos o Rei das Sombras desapareceu na noite.
Perfeito!!!Já li todas as suas historias. você é incrível!
ResponderExcluirparabens:)!!
Muito obrigado! Estou extremamente lisonjeado com seu comentário!
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